– 0 – Wall of Love

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Wall of Love

Estava exausto, tinha perdido a conta aos quilómetros caminhados naquele dia.

Já não tinha mais cartazes para colar ou agrafar, tinha percorrido todos os locais que achava poderem ajudar a passar a sua mensagem.

Depois de tantas horas, o telefone nunca tocara.

As nuvens negras por cima da sua cabeça, apenas deixavam ver uma minúscula abertura, um pedaço de céu que o ligava ao infinito do universo, uma porta do tempo que fazia acreditar que ainda era possível.

Sentou-se num dos bancos espalhados pela Place des Abbesses e ficou a olhar para cima.

  • Sou um louco, não sou?

Jovens, alguns mais do que ele, outros da mesma idade e provavelmente alguns mais velhos passavam ao seu redor indiferentes ao peso que se abatia sobre os seus pensamentos.

  • Mas Tu também És!

Seguiu-se uma poderosa gargalhada, usando energia que já não tinha.

Um pouco mais à sua frente alguns curiosos tiravam fotografias encostados à grande parede azul de azulejos sarapintados de palavras brancas e pontos vermelhos.

  • Não Te quero ofender, mas onde é que estavas com a cabeça quando decidiste criar-nos?
  • Tinhas alguma esperança que pudéssemos ser melhor do que isto?

O cansaço de um dia imenso era agora omnipresente nas pernas e nos pés assentes sob o passeio de pedra, rede que mantinha o acrobata seguro.

O ar da noite que envolvia os seus pulmões confirmava a cada inspiração a sua existência.

Ao longe, mesmo que já não estivessem a cantar, nos seus ouvidos ainda ecoavam os sons de quem tocava na rua, ou talvez tivesse sido alguma outra música que ficara a tocar ininterruptamente dentro da sua cabeça.

Je viens du ciel et les étoiles entre elles

Ne parlent que de toi

D’un musicien qui fait jouer ses mains

Sur un morceau de bois

De leur amour plus beau que le ciel autour

Dans la pénombre de ta rue

Petite Marie, m’entends-tu ?

Je n’attends plus que toi pour partir

Não eram os Presteej, mas sim Francis Cabrel*, num clássico dedicado à sua mulher.

E a sua Petite Marie?

Tinha conseguido chegar até ali porque se tinha mantido vivo.

Se estava vivo era preciso viver.

* Francis Cabrel (born 23 November 1953 in Astaffort, France) is a French singer-songwriter and guitarist. He has released a number of albums falling mostly within the realm of folk, with occasional forays into blues or country. Several of his songs, such as "L'encre de tes yeux" and "Petite Marie" have become enduring favorites in French music.

He was born into a modest family, his father was employed as a blue-collar worker and his mother was a cashier. He has a sister, Martine, and a brother, Philippe.

A shy teenager, Bob Dylan's "Like a Rolling Stone" inspired him to pick up a guitar and start writing his own songs. At 16, enthralled by music, he started to sing the songs of Neil Young, Leonard Cohen and Dylan. He also learned English by translating the lyrics. He would later say that his guitar enabled him to appear more interesting to others.

Expelled from secondary school in Agen for lack of discipline, he went to work in a shoe shop while playing gigs with a group named "Ray Frank and Jazzmen," which later became known as "les Gaulois" because every member of the band had a moustache. At that time, Cabrel's appearance was that of a hippie, with long hair and a moustache

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