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– 22 – Por fim Santiago

A ideia era ficar essa mesma noite em Santiago. Seriam poucos mais quilómetros, permitindo acordar tarde no dia seguinte, dar uma passeio, conhecer a cidade que tanto José como Miguel não conheciam. Na verdade era a primeira vez que Miguel saía de Portugal.

Depois do almoço poderiam iniciar o trajecto de regresso a Lisboa, frescos e conduzindo sempre de dia, aliás, desde que José andava de bicicleta nunca gostava de conduzir à noite.

Deixaram a Auto via do Atlântico ao início da noite e entraram em Compostela pouco passaria das 20h00.

Rodeada por pequenas montanhas, Santiago parece mais pequena e insignificante do que realmente é, o mesmo acontecia com várias pessoas com que José se tinha cruzado na vida. 

Entrar numa cidade pouco ou nada conhecida é geralmente acompanhado por inúmeras voltas às mesmas ruas sem que geralmente o condutor dê conta, excepto quando os nomes e fachadas das lojas começam a tornar-se familiares.

Quando isso aconteceu, desistiram e estacionaram o carro. De seguida procuraram um restaurante que lhes parecia popular o que é fácil de encontrar. 

Em Espanha, e provavelmente em outros locais, significa um espaço com muita gente, muito barulho e já agora para termos a certeza de que se pode comer bem, com muito lixo debaixo do balcão, ou barra como dizem por aquelas paragens.

Sentaram-se e pediram alguma coisa para comer e beber enquanto esperavam que Maria fosse ao seu encontro.

Estavam bastante cansados, mas agora reconfortados com o caldo galego que lhes tinham colocado na frente.

O nervoso miudinho que tinha vindo a crescer à medida que se tinha aproximado de Santiago começou a fazer das suas José sem reparar colocou a sua perna esquerda a bater freneticamente como se fosse o baterista dos Iron Maiden no auge de um solo.

Sentia as costas doridas e a cabeça meio vazia. Esta parte não era novidade, mas a certeza de que estava prestes a rever a razão maior da sua viagem e de tantas outras viagens dentro de si, afastou de imediato o que quer que pudesse retirar a magia do momento que só os reencontros sabem fintar ao destino. 

  • Hola Viajantes, como foi a aventura para chegarem até aqui? 

Concentrados que estavam em devorar a comida deliciosa e a inventar conversa para preencher o momento, não se aperceberam da chegada de Maria.

Quiçá libertado dos anos concentrado nos estudos, Miguel olhou para Maria e não dando oportunidade a José de engolir o que tinha na boca respondeu como se já se tivessem cruzado várias vezes. 

  • Agora que estamos aqui ao pé de ti, uma maravilha, disse Miguel.

José não se importava de estar na presença de rapazes que conseguiam quebrar o gelo inicial e brilhar em frente a uma rapariga, mas este caso era diferente, esta era a sua Maria.

Teve vontade de lhe dar um murro no cimo da cabeça, tal era a lata de se estar a meter naquela relação, no entanto, ficou-se por um sorriso meio amarelo.